A OAB é também a casa da Sociedade

dra Andreia

A Oitava Subseção da OAB de São Gonçalo realizou no dia (25) de abril um encontro sobre autismo com o tema “conhecendo o autismo” que reuniu especialistas para debater o assunto. A abertura do evento foi feita pela vice-presidente da OAB de São Gonçalo, a Dra. Andrea Pereira que  saudou o público presente e ressaltou o quanto a OAB está presente nas questões que envolvem a sociedade.

Em sua fala lembrou que o advogado precisa da sociedade bem como a sociedade precisa do advogado. Disse ainda que a OAB é a “asa” da sociedade e que o evento que trata das questões dos autistas é uma causa muito nobre e que não pode passar desapercebida as necessidades que demanda esse grande assunto.

ESA aborda temas sociais

dr paulo

O Dr. Paulo Cavalcanti, Diretor Presidente da ESA da Oitava Subseção, fez questão de informar aos presentes que a Escola Superior de Advocacia não existe apenas para tratar de assuntos relacionados ao aprendizado dos advogados mas também para tratar do aspecto social e multidisciplinar que englobe a sociedade gonçalense.

O Diretor Presidente ressaltou que a proposta da ESA neste encontro, além de fornecer os meios para a convicção e para o conhecimento, visa mostrar os aspectos legais que amparam as pessoas autistas. Citou diversos direitos que podem ser de desconhecimento de familiares.

dra elizabeth

Na sequência do evento a Dra. Elizabeth Siqueira Conselheira da OAB de São Gonçalo, que é voluntária do Espaço do Autista falou a  respeito de sua surpresa pelo fato de que muitos familiares desconhece  que o Autista tem direito ao beneficio do LOAS.

Levantando a bandeira da inclusão
cristiano moreira

A Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência, representada pelo seu presidente o Dr. Cristiano Moreira, abordou de uma forma abrangente as questões relacionadas as políticas públicas que foram desenvolvidas para pessoas com Autismo, a conscientização da sociedade e a questão da acessibilidade. Quanto a acessibilidade ressaltou que a condição para socialização e acessibilidade avançou muito nas últimas décadas.

O Autismo não pode ser tratado como ato raro pois de acordo com dados o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos que divulgou as estatísticas sobre o autismo, mostra que existe um autista em cada cento e dez indivíduos no mundo.

Os dados mostram que a inclusão é uma bandeira a ser levantada e que o reconhecimento dos familiares para expor as necessidades que cercam as pessoas que precisam de cuidados especiais, são fundamentais para as conquistas a serem alcançadas com educação com qualidade e possibilidade de acesso ao mercado de trabalho.

Quanto a educação, que essa não deve garantir somente o acesso mas a permanência e o aprendizado com professores de apoio especialistas e não somente pessoas que estão ali para cumprir uma vaga e que os responsáveis pelas pessoas Autistas devem exigir dos governos essa condição.

Promovendo qualidade de vida

dra gisele

A Terapeuta Ocupacional Dra. Gisele Lins mostrou que a finalidade na terapia é de promover qualidade vida, autonomia e independência trabalhando com a AVD que é a Atividade de Vida Diária que é fazer com que a criança possa desenvolver todas as atividades diárias como se vestir, despir, amarrar o sapato, escovar os dentes e outras atividades cotidianas.

A Terapia Ocupacional se utiliza de atividades próprias das crianças e que através do brincar, com base no seu interesse, para estimular a interação para promover a qualidade de vida. A Terapeuta citou o projeto da Sala de Integração Sensorial que busca trabalhar o ser humano como um todo nas suas sensações e percepções fazendo com que esse sujeito consiga caminhar  na escola, em casa, passear no shopping, na praia de forma tranquila e não dolorosa.

Comunicar para socializar

dra jully

A Dra. Jully Dias, Fonoaudióloga, ressaltou  a importância da comunicação em suas várias formas seja escrita, falada, por gestos e a mediada em que liga o transmissor ao receptor usada por autistas que não são verbais.

Disse ainda que o Transtorno Expecto Autista tem uma dificuldade na interação social e comunicação, dificultando os Autistas a entender os por menores na comunicação como os gestos e expressão facial e que é exatamente neste momento que entra a fonoaudiologia.

O trabalho com autistas é feito pelos seus níveis de dificuldades que vai de um até três, sendo o nível três aquele em que o autista não consegue se comunicar através da linguagem verbal.

Além da comunicação, a fonoaudiologia  trabalha com a dificuldade sensorial para estimular, como exemplo, a mastigação que é uma das dificuldades apresentada pelos autistas. A fonoaudiologia integra as mais diversas áreas ligando e integrando ao todo.

Música como terapia

dra.Talita

A Dra. Talita Azevedo destacou a  importância da musicoterapia como ciência que ajuda a criança Autista a desenvolver atividades através estímulos com equilíbrio sonoro buscando a potencialidade da criança.

A musicoterapia atua como trilha sonora uma vez que dentro de cada um de nós existe uma identidade sonora que não é diferente no Autista. É através do trabalho com musicoterapia que pode se desenvolver sons como a fala.

Abordou a especialização do musicoterapeuta pois a música pode fazer tanto bem como mal pois cada um tem uma identidade e se a música for usada fora da cronologia do paciente, pode provocar atrasos  que é exatamente o que se busca reverter no Autista.

Diagnóstico precoce, mais avanço nas terapias

dra Renata

A Dra.  Renata Tavares falou a respeito da psicologia na busca do tratamento do Autista lembrando que não se trata de doença e sim de um transtorno. Segundo ela, existem falhas na interação, socialização, comunicação e estereotipias.

A psicologia trabalha em conjunto com as equipes multidisciplinares oferecendo tratamento de psicoterapia e acompanhamento familiar onde recebem apoio e suporte psicológico, mas a psicologa alertou que os pais devem manifestar o desejo de acompanhar a evolução dos seus filhos.

O Autismo não tem cura mas existe tratamentos que proporcionam que a pessoa com autismo abrande os sinais do autismo fazendo com que eles possam viver em sociedade.

Os sinais do autismo podem ser detectados a partir dos dois meses de vida com vários sinais sendo visíveis aos dezoito meses já não anda, não fala menos que seis palavras, não aprende novas palavras, não se importa quando o cuidador de afasta e perdeu as habilidades que possuía anteriormente. Aos dois anos não fala mais frases com duas palavras, nãos segue instruções simples e não dá função aos objetos.

Aos três anos apresenta certas características como cair frequentemente, falar precariamente com redução de palavras, não reconhece comando simples e não brinca mais com alguns brinquedos tais como quebra cabeças.

Aos quatro anos evita brincar com outras crianças devido a falta de conhecimento das famílias faz com que esses sintomas se confunda com uma característica de não querer se socializar. Existe problemas com a fala e inversão pronominal e resiste em trocar de roupas.

Ressaltou ainda os níveis e suas características destacando o severo como aquele que traz muitos prejuízos para a linguagem com algumas habilidades cognitivas conseguindo reconhecer cores e lidar com alguns objetos.

Destacou a família como sendo aquela que vai ser a primeira instituição com que o Autista terá contato daí a necessidade de se manifestar na família o desejo de querer que o membro da família Autista possa viver da forma mais natural possível em uma visão a longo prazo, pois o autista não será criança para sempre tendo no futuro obrigações que demandarão a sua auto suficiência para execução. Citou como exemplo assinar um documento, sair a rua, tomar banho, trocar a roupa e outras atividades que necessitarão que ele viva melhor.

Aos cinco anos os sintomas se intensificam o que complica a terapia com prejuízos para o desenvolvimento mesmo sendo necessárias  e que terapia alternativa não resolve uma vez que o Autismo não é doença. Funcionam a reabilitação, estimulação precoce, o amor da família e dos amigos. Nessa fase costuma mostrar agressividade, empatia não proposital, não reação a dores, distração sem interação, regressão que faz com que não coma sozinho e nem escove os dentes.

O diagnostico precoce faz com que a vida do Autista possa ser normal o que garante estudos, prática de esportes e um desenvolvimento saudável.

Ajuda para continuar o trabalho

marcia+medeiros

Marcia Medeiros, presidente da ONG Espaço do Autista, mostrou como funciona o Espaço e fez questão de ressaltar que o amor é o ponta de pé inicial para o tratamento e que abandonar a família é prejudicial.

O diagnóstico precoce é fundamental e que o Espaço do Autista faz um trabalho social sem convênio cobrando apenas uma taxa social por tratamentos que são caros e que os terapeutas trabalham com amor recebendo um baixo valor.

Pediu apoio de empresas para apoiar o espaço para que continue servindo as crianças autistas para que possam ter uma vida social independente.

Ainda citou que crianças devem ser estimuladas a se aproximar da criança autista uma vez que não existe na criança com esse transtorno a capacidade de buscar essa aproximação embora sinta vontade de estar próximo de outras crianças.

Assista ao Vídeo deste encontro